A Hora dos Mortos-Vivos
Quando o apocalipse é menos sobre monstros e mais sobre gente.
A Hora dos Mortos-Vivos não é apenas um filme de terror. É um acidente histórico feliz. Um desses raros momentos em que limitações técnicas, orçamento apertado e uma visão obstinada se alinham para criar algo maior do que o próprio gênero. O resultado não é só o nascimento do zumbi moderno, mas um retrato incômodo de uma sociedade em colapso, olhando para o espelho enquanto tenta sobreviver.
À primeira vista, tudo parece simples. Um cemitério isolado, um ataque repentino, uma fuga desesperada e um refúgio improvisado em uma casa de fazenda. Mas Romero não está interessado apenas no susto imediato. O terror aqui não vem só dos mortos que andam de forma desajeitada e faminta, mas dos vivos que falham em agir como um grupo.
A escolha do preto e branco não é apenas estética ou econômica. Ela dá ao filme um ar quase documental, como se estivéssemos assistindo a um noticiário macabro de um mundo que acabou de perder o controle.
O personagem de Ben surge como o eixo racional da narrativa, alguém que tenta impor lógica em meio ao caos. Um homem negro ocupa naturalmente a posição de liderança, não por discurso, mas por competência.
O desfecho do filme é um soco silencioso. Seco. Cruel. Romero encerra a história sem catarse, sem redenção, sem conforto.
Veredito
Um clássico absoluto que transforma o horror em comentário social e continua perturbadoramente atual.
Nota: 9.0/10