A Noite dos Mortos Vivos (1968)

A Hora dos Mortos-Vivos - capa
Resenha

A Hora dos Mortos-Vivos

Quando o apocalipse é menos sobre monstros e mais sobre gente.

  • Título original Night of the Living Dead
  • Direção George A. Romero
  • Ano 1968
  • País Estados Unidos
  • Duração 96 min
  • Gênero Terror · Horror social
Cena do filme
Frame ilustrativo (placeholder).

A Hora dos Mortos-Vivos não é apenas um filme de terror. É um acidente histórico feliz. Um desses raros momentos em que limitações técnicas, orçamento apertado e uma visão obstinada se alinham para criar algo maior do que o próprio gênero. O resultado não é só o nascimento do zumbi moderno, mas um retrato incômodo de uma sociedade em colapso, olhando para o espelho enquanto tenta sobreviver.

À primeira vista, tudo parece simples. Um cemitério isolado, um ataque repentino, uma fuga desesperada e um refúgio improvisado em uma casa de fazenda. Mas Romero não está interessado apenas no susto imediato. O terror aqui não vem só dos mortos que andam de forma desajeitada e faminta, mas dos vivos que falham em agir como um grupo.

A escolha do preto e branco não é apenas estética ou econômica. Ela dá ao filme um ar quase documental, como se estivéssemos assistindo a um noticiário macabro de um mundo que acabou de perder o controle.

O personagem de Ben surge como o eixo racional da narrativa, alguém que tenta impor lógica em meio ao caos. Um homem negro ocupa naturalmente a posição de liderança, não por discurso, mas por competência.

O desfecho do filme é um soco silencioso. Seco. Cruel. Romero encerra a história sem catarse, sem redenção, sem conforto.

Veredito

9.0 /10

Um clássico absoluto que transforma o horror em comentário social e continua perturbadoramente atual.

Nota: 9.0/10

Lucas Pilatti

Lucas Pilatti

Fundador & Editor Chefe

Sou desenvolvedor, publicitário e colecionador de cartas Pokémon. Nos tempos vagos, me divido entre o cinema e a família. Criei o Canto dos Clássicos em 2011, aos 15 anos, movido pela curiosidade e pelo fascínio pelas imagens em movimento. Hoje, o projeto é um refúgio: um espaço para escapar da realidade imediata e explorar as múltiplas realidades que só o cinema é capaz de oferecer.